
Educação para a comunicação
Vinculada à leitura crítica dos meios, também conhecida como Media Education ou Educación en medios.
Dentre as áreas que compõem a Educomunicação, a Educação para a Comunicação é considerada a mais antiga e fundante. Segundo Soares (2014a, p. 47), essa área ocupa lugar central na constituição do campo, pois “é a mais antiga e fundante de todo o conceito formado em torno da interseção entre comunicação e educação”. Sua proposta é desenvolver ações nos espaços educativos que promovam a análise crítica dos meios de comunicação e estimulem habilidades de expressão nos sujeitos — especialmente em uma sociedade marcada pela presença constante da mídia.
Nesse contexto, Rosa (2014, p. 4) ressalta que a comunicação deve ser entendida como “instrumento indispensável de inclusão social, participação, promoção e exercício dos demais direitos humanos e de cidadania”. Ou seja, educar para a comunicação é garantir a formação de sujeitos capazes de exercer criticamente seus direitos comunicacionais.
Garcia-Ruiz et al. (2014) destacam que a educação para a comunicação se tornou não apenas uma necessidade, mas um direito dos cidadãos. Eles defendem que os sistemas educacionais devem promover uma cidadania midiática ativa e crítica. Para os autores:
Essa visão amplia o papel da escola ao incluir, em seu projeto pedagógico, ações que formem sujeitos reflexivos, éticos e expressivos diante dos meios de comunicação. Rosa (2014, p. 5) reforça esse argumento ao afirmar que a educomunicação é um espaço participativo e inovador, capaz de promover o direito à comunicação e a formação política e cidadã. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário desenvolver consciência crítica frente ao domínio concentrado da mídia e seus interesses ideológicos.
A educação para a comunicação exige, portanto, o desenvolvimento de competências específicas que permitam interpretar discursos midiáticos com profundidade. Para Consani (2024, p. 76), esse processo possibilita o “reconhecimento e a interpretação crítica de padrões culturais” e visa “evidenciar a intencionalidade ideológica presente em todos os discursos midiáticos”.
Em diálogo com a tradição da leitura crítica dos meios, Consani (2024) recupera as raízes dessa abordagem nos estudos da Escola de Frankfurt, que criticavam a cultura de massa e buscavam desvelar as intenções alienantes da mídia. O autor propõe três pontos fundamentais para a educação para a comunicação:
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A indissociabilidade entre as motivações para criar conteúdos e seus efeitos sociais;
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O rigor científico e a qualidade ética do conhecimento produzido;
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O valor cultural e o apelo estético das produções comunicacionais.
Por fim, Consani (2024) faz um alerta importante: embora as novas gerações tenham crescido imersas em tecnologias, isso não garante uma leitura crítica dos conteúdos que consomem. A capacidade de interpretar discursos midiáticos não é inata, e por isso, a educação para a comunicação se faz essencial para formar sujeitos capazes de agir com autonomia, consciência e responsabilidade diante das mídias.
“Um cidadão prossumidor possuirá uma série de competências que lhe permitirão executar um conjunto de ações, tanto como consumidor da mídia e recursos audiovisuais, como produtor e criador de mensagens e conteúdos críticos, responsáveis e criativos.”
(Garcia-Ruiz et al., 2014, p. 112)