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Mediação tecnológica na educação

Voltada ao uso das tecnologias digitais de forma pedagógica.

Adentramos agora na descrição da última área de intervenção: a de mediação tecnológica na educação, que é definida por Soares (2014, p. 138) a partir das “práticas relacionadas ao entendimento da natureza civilizatória da sociedade da informação e do emprego de suas tecnologias a partir da lógica educomunicativa”.

Em outras palavras, essa área refere-se às práticas que envolvem a compreensão da sociedade da informação e o uso de suas tecnologias dentro de uma abordagem educomunicativa na educação. Soares (2014, p. 48) afirma que essa área se preocupa com os “processos e as reflexões sobre a presença das tecnologias da informação e seus múltiplos usos pela comunidade educativa”.

A partir dessa afirmação, podemos inferir que não se trata apenas de utilizar tecnologia, mas de entender como ela é usada, como afeta a aprendizagem e como seu uso pode melhorar a comunicação dentro do ambiente educativo. Estamos, portanto, tratando da prática e também da análise crítica.

Almeida (2016, p. 24) detalha que essa área de intervenção:

A partir da fala da autora, compreende-se que a área não se ocupa da tecnologia em termos de hardware ou software (aspectos físicos ou de programação). O foco está em utilizar a mediação tecnológica para facilitar e ampliar as trocas e os diálogos nos espaços educativos, favorecendo a construção do conhecimento. O ponto central, segundo Almeida (2016, p. 25), está em refletir “de que forma a tecnologia pode colaborar com a aprendizagem, com a criação, assimilação e gestão do conhecimento na perspectiva da cidadania, do desenvolvimento e da solidariedade?”

Cabe aqui um esclarecimento sobre o que é essa mediação proposta por Almeida (2016). Para tanto, recorremos a Consani (2024, p. 78), que define: “mediação é um ato volitivo, isto é, implica intencionalidade (querer mediar), planejamento (saber mediar) e consciência dos efeitos da mediação”. Do ponto de vista da Educom, o autor afirma ainda que “mediar implica assumir uma responsabilidade compartilhada com o educando em um projeto compartilhado de (re)construção dos saberes” (p. 78).

Consani (2024) discorre também sobre a forma como a tecnologia foi, por muitas vezes, imposta às escolas por pressões externas — culturais, sociais e econômicas — e não necessariamente por uma demanda interna. Segundo o autor, a transformação das escolas analógicas foi vista com entusiasmo por uns e ceticismo por outros. No entanto, passada a euforia inicial, tornou-se evidente que a simples presença das tecnologias nas escolas não representa, por si só, melhorias no ensino — especialmente quando não há reflexão crítica sobre seu uso. Dentre todas as previsões — das mais pessimistas às mais otimistas —, a única profecia cumprida, segundo o autor, foi a de sua inevitabilidade: não se pode mais pensar a educação sem associá-la à tecnologia.

Corroborando o entendimento de Almeida (2016), Consani (2024) afirma que “o verdadeiro valor da tecnologia advém de seu uso crítico orientado para o aprimoramento das relações na sociedade e a promoção da justiça social em todos os aspectos inclusivos” (p. 79). Por entender que é preciso alcançar um equilíbrio entre o “entusiasmo ingênuo e a rejeição temerosa das novidades tecnológicas” (p. 79), o autor sugere que a área deveria alterar sua nomenclatura para mediação educomunicativa, que expressaria melhor os “ideais humanistas defendidos pela instituição escolar” (p. 79).

Outro autor que propõe uma mudança na nomenclatura da área é Martini (2019). Sua sugestão é pela troca do termo “educação” por “aprendizagem”, passando a se chamar mediação tecnológica na aprendizagem. Segundo Martini (2019), não se trata de alterar o escopo teórico da área, mas de colocar o foco na “promoção da aprendizagem, que é o elo entre as práticas educativas e comunicativas” (p. 183).

“Visa à incorporação das tecnologias da informação e da comunicação nos processos educativos, de forma a ampliar e multiplicar as oportunidades de aprendizagem, sempre privilegiando a sua utilização humanizada e colaborativa, tendo como centro do processo o educando e o processo de aprendizagem, e não o conteúdo e nem a tecnologia.”
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